Guia de terrenos baldios de São Paulo

 Por acaso ou força do hábito , fui no domingo à feira do Bexiga e lá encontrei um guia bastante singular: Guia de terrenos baldios de São Paulo or Guide to the wastelands of São Paulo. O simplório guia, todo em preto e branco e bilíngüe, chamou minha atenção. Terrenos baldios esta cidade tem de monte. Em regiões valorizadas, os tais terrenos tornam-se verdadeiros potes de ouro nas mãos da especulação imobiliária.
Folheando o simpático guia reencontrei o emblemático terreno onde foi o antigo colégio Des Oiseaux. E através dos comentários sobre este na rua Augusta com Caio Prado, revelaram-se mais curiosidades sobre aquela vasta área protegida de muros, motivo do meu último post no Versão Paulo, “Moça vestida de estudante pula muro e volta às aulas.”
O guia diz que o colégio cedeu a área para a prefeitura e em contrapartida esta deveria conservar as árvores e transformar 75% do terreno num parque público. Até agora o terreno continua lá, baldio, com as árvores, um estacionamento e um circo ótimo, Zanni, que faz uma temporada no local . Mas parque público, não parece que virou. Mais pra frente no texto, ainda há referência a uma sociedade que há 12 anos comprou o terreno, Sociedade Armando Conde Investimentos e, por ter sido contestada pelos vizinhos, elaborou um plano B chamado Projeto Parque dos Pássaros, homenagem mórbida ao oiseaux do antigo colégio. O shopping center teria 14.000 metros quadrados e, 10.000 metros seriam reservados a um parque que a benemérita “sociedade do mal” cederia a prefeitura desta cidade tão cheia de shoppings e tão carente de parques. Mas parece que a coisa sofreu nova contestação graças a deus, de uma outra Sociedade, esta do Bem, os Amigos e Moradores do Bairro Cerqueira César ( SAMORCC), que alegaram ser o terreno um dos poucos pulmões verdes do centro da cidade com vegetação de Mata Atlântica. Este grupo criou um comitê dos aliados do Parque, o qual reunia em 2006, 300 pessoas. Além de tentar segurar este projeto nefasto de shopping/gaiola com nome de pássaro, em 2006, momento em que este guia foi lançado, havia um processo na câmara dos vereadores em que foi pedido que a prefeitura comprasse o terreno e o conservasse como parque.
Agora fica-se na dúvida, se o antigo colégio (des Oiseaux) cedeu para a prefeitura o terreno há um tempão atrás e, naquela época, exigia que a prefeitura fizesse dos 75% do terreno um parque, como é que esta sociedade do mal compra o terreno e faz um projeto em que a maior parte da área é para shopping piu piu e apenas 10.000 ficam para a prefeitura fazer o que até agora ela não fez?
Bom gente, desculpe não ter dado uma explicação histórica daquelas com começo, meio e fim. Às vezes, a história apronta destas, acaba com uma dúzia de dúvidas contra meia de certezas….

Sobre o guia dos terrenos baldios de São Paulo:
A edição é de 2006 e foi feita por conta da 27 Bienal de São Paulo que tinha como tema “Como viver junto”. O projeto é de Lara Almarcegui (Espanha), artista que faz trabalhos fotográficos interessantíssimos com prédios abandonados e locais deteriorados. Foram impressos 27.750 cópias. Outros terrenos aparecem em várias regiões da cidade. As histórias são muito interessantes e, na apresentação do guia, há uma breve explicação geral sobre este fenômeno na cidade de São Paulo: a maior parte dos terrenos baldios esta ligada a realização de um projeto, são lugares onde tudo é possível porque a principio são todos filosoficamente vazios. Há terrenos com histórias fantásticas, outros relacionados a situações conflituosas, e ainda aqueles que são verdadeiros oásis na cidade. E este breve resumo prova por A + B que viver junto é difícil, mas sem dúvida, provoca um número enorme de histórias.
postado por Paula Janovitch

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13 respostas em “Guia de terrenos baldios de São Paulo

  1. é revoltante o uso da palavra “Deus”, somente com minúsculas. onde vamos parar?isso só pode ser coisa de comunista: primeiro a classificação de shoppings, lugares que dão empregos a muitos, como “nefastos”. segundo, a referência derrisória ao nome do Senhor.

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  2. Qdo as freiras fecharam o Colégio, o terreno não foi cedido à prefeitura. Foi comprado por um grupo japonês q ia fazer lá um hotel, mas fez um estacionamento. Foi só em 2004 q a Compresp tombou o bosque. Não houve nunca compromisso nenhum, por parte da prefeitura, de fazer lá um parque. Isso é invenção de quem vive no entorno, como todos querem, um parquinho perto de casa. Mas a prefeitura foi joiínha e cedeu aos anseios dos vizinhos do Des Oiseaux: parquinho será. Isso é o q sei. Qdo souber mais e melhor, volto aqui!

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  3. Pra que parque? Se for para servir de abrigo a mendigos e criminosos, não precisa, as ruas e praças (República, Roosevelt) já bastam. Quem conhece o parque do trianon entre outros sabe, que parque na região central acaba sempre servindo de refúgio para a criminalidade,e como local para as madames levarem os pets para fazer suas necessidades. Agora um shopping com um parque agregado, isso sim seria legal, agregaria opções de lazer com a natureza.se bem que triste mesmo é terem demolido o colégio Des Oiseaux, um prédio histórico.. é realmente uma grande perta para o patrimônio arquitetonico de São Paulo

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  4. Caro anônimo, discordo da idéia que mais um shopping com área verde é solução ou alternativa para nossas praças que por vezes estão abandonadas, ou tornam-se passeios para cachorrinhos da região. Existem alternativas para as praças, veja o caso da que acaba de abrir na Dr. Arnaldo com a Rua Cardoso de Almeida. Fica lotada de jovens, tem horário de abrir e fechar e está muito bem cuidada. O que quero dizer com isto, é que inserir uma proposta privada num espaço público pode ser algo extremamente perigoso, podem não entrar mendigos, mas cachorrinho entra (rs). Acredito que os shoppings criam um mundo em si, totalmente voltado para a mercadoria. São seguros na medida que artificializam um mundo de iguais, o que num primeiro momento parece muito confortável . Mas para a cidade que em si é diversa, torna-se um empobrecimento. Acredito ainda que praças podem ser cuidadas pela administração pública e ter projetos interessantes. Vale a pena exigir qualidade do que pertence a todos nós.Quanto ao fim da Escola, de fato era um prédio muito bonito. Paula

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  5. Pois é… mais um belo prédio, de valor histórico-arquitetônico inestimável, que se foi… e de pensar que lá haviam tijolos da olaria o meu avô!!! Eu os vi, caídos no chão, como restolhos mortos, e deu um dó, pelo meu avô, pelo colégio, por São Paulo, por mim mesma, que perdi a oportunidade de ver aquele belo prédio transformado em algo útil, revitalizado, porque não um "shoppin" como o Shopping Light, ou mesmo um hipermercado, desde que respeitadas as condições originais… e as árvores, claro… que pena… que pena… Jane Koczis Darckê.

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  6. Que pena MESMO. O investimento (dinheiro) ante de tudo. Até agora as pessoas não se deram conta da situação de fim de mundo em que nos encontramos e continuam a destruir ávores e plantar concreto da pior categoria.

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