A cidade é minha, oba!!!!

Pombos sobre mureta de viaduto, centro de São Paulo
Outro dia fui ao cinema e uma moça sentou do meu lado e saiu rapidamente. Quando as luzes se acenderam percebi que ela havia deixado alguma coisa na cadeira, um vídeo com os seguintes dizeres: você foi escolhido para assistir este vídeo. Achei o negócio estranho, a princípio pensei em jogar na primeira lixeira. Mas sou curiosa demais para descartar uma mensagem destas.

Então levei pra casa, coloquei no meu aparelho de DVD e tomei uma distância maior do que a normal do possível “ elemento malfeitor” que poderia disparar raios ou explodir minha televisão. O fato foi que vi vários clipes de filmes bem interessantes de uma produtora independente. No final a orientação foi esta: pegue este DVD e deixe-o para outra pessoa.

Com um artigo da revista Vida Simples (nov/2007), compreendi que este tipo de intervenção chama-se guerrilha urbana. Você pode fazer isto para mostrar seu trabalho, mas também para cuidar da sua cidade. O jornalista Denis Russo Bugierman que escreveu o artigo “ Guerrilha urbana” refere-se a um livro The Guerrilha Art Kit, onde a autora, Keri Smith, aponta um monte de estratégias para cuidar e criar coisas na sua cidade. Por exemplo: Mapas guerrilheiros: – Em casa, desenhe um mapa de sua região ou arrume um já pronto. Complete o mapa com as coisas que você acha importantes, mas que geralmente não apareceriam num mapa: um banco legal para sentar , um gramado bom para deitar…. e aqui completo eu, uma galinha e um galo no caminho, uma pequena lagartixa nascendo na calçada em que você caminha, um orvalho chorado de folha de arvore em começo de dia, a novidade da estação. Marque tudo no seu mapa particular e afixe por ai para outras pessoas.

Para quem quiser saber mais segue o site da Keri: http://www.kerismith.com
Para os que quiserem enviar suas mapas particulares , por favor mandem que eu publico no Versão Paulo.
por Paula Janovitch

Achado e adquirido: Arquitetura Moderna Paulistana


Achei na feira do Bexiga o livro Arquitetura Moderna Paulistana, de Alberto Xavier, Carlos Lemos e Eduardo Corona, editora Pini, 1983.

A idéia do livro é fazer uma mostra/roteiro de vários exemplares de arquitetura moderna de São Paulo com os respectivos endereços. Ou seja, quem quiser, pode anotar o endereço e visitar . O único defeito do livro, que não é defeito mas pura preferência minha, é o fato da organização não ser por região, mas cronológica. Ficaria bem mais fácil e divertido se os autores apontassem percursos, mesmo que pequenos.

Voltando a ordem correta do livro. Tudo começa em 1927 com o primeiro projeto eleito como modernista, na Av. Angélica, 172. Um edifício de apartamentos do arquiteto Júlio de Abreu Junior. Aliás, todos os projetos do livro vem com um pequeno texto, uma fotografia ou duas e um croqui.

Logo na introdução os autores explicam de maneira sucinta o critério de seleção dos projetos considerados modernos e a dificuldade em definir o marco desta modernidade da arquitetura na cidade de São Paulo. E isto não é difícil apenas na arquitetura. Acho que todo mundo que trabalha com este período se depara com os mesmos pontos cegos do quando começamos a ser modernos, será que seria mesmo 1922?
Ai, ai, esta história de que nada de moderno existia antes da Semana de Arte Moderna já assassinou muitas produções interessantes da cidade de São Paulo. Na área da literatura por exemplo, escritores como Juó Bananére, Hilário Tácito, José Agudo e até o conhecido Monteiro Lobato que foram extremamente modernos, passaram ao largo dos participantes presentes na Semana de Arte de Moderna. Acabaram todos com o título duvidoso de pré-modernistas. Conceito totalmente equivocado. De fato foram modernos, ou para ser mais chique ainda como diz o professor Foot, foram antigos modernos. Isto de deixar fora da panela o tempero de época não foi apenas injusto com a produção cultural da cidade, mas de uma parcialidade que tem que ser revista e ampliada para podermos saborear o prato com todos os seus ingredientes.
Os autores deste livro de arquitetura, resolveram desenroscar este nó do primeiro exemplar moderno de arquitetura, definindo que a seleção dos projetos teria como parâmetro a arquitetura moderna racionalista e o domínio da tecnologia do concreto armado. No caso, o primeiro primeiríssimo exemplar de arquitetura moderna transpõe os muros de 1922 , escapa de São Paulo e segue direto para a estação de estrada de ferro de Mairinque (1907) onde Victor Dougbras utilizou pela primeira vez o concreto armado. Só depois de 20 anos é que São Paulo ganhou o seu primeiro edifício moderno, este que citei de Julio de Abreu Junior na Av. Angélica.
Bom, da minha parte, vou pegar o livro, abrir numa das páginas e ir para a rua fotografar aquilo que existe e o que já desapareceu da arquitetura moderna paulistana selecionada nesta obra. Aguardem futuras revelações…
por Paula Janovitch